O filme é a reconstrução da procura do rosto da minha mãe – morta em 1972 quando eu tinha 7 anos - através da montagem de gravações, realizadas pelo meu avô, e das palavras dos diários da minha mãe. Estes materiais permitiram-me recompor completamente a sua vida, os seus vários momentos: a adolescência, o amor, os filhos, a doença, o mal-estar existencial. Ao longo da minha vida, o nome da minha mãe foi ignorado, escondido, evitado. O seu rosto também. Porém, nestes filmes sobre a família, tenho a sorte de a ver mexer, rir-se, correr… Assim, como por magia, num instante, àquela misteriosa e desconhecida pessoa projectada no ecrã à minha frente, era como se fosse viva. Com este filme quis transmitir o fortíssimo sentimento de saudade que senti enquanto olhava para estas imagens pela primeira vez. Não se trata apenas de saudade por uma mãe que não há e que nunca houve, mas também saudade por tudo o que foi e que nunca mais voltara, saudade por tudo aquilo de onde vimos e em relação ao qual nos sentimos mais ou menos ligados.A saudade como sentimentos necessário para ultrapassar uma perca. No filme quis evocar estas atmosferas e sentimentos que, acho, mexem com cada um de nós.
Quis percorrer a história das mulheres entre a metade dos anos Sessenta e o fim dos anos Setenta, partindo do “caso italiano”, para a relacionar com o nosso presente global, conflituoso e contraditório, com a intenção de oferecer um motivo de reflexão sobre os temas ainda hoje parcialmente não resolvidos ou até postos em discussão de forma grosseira. Onde chegaram hoje em dia as mulheres? Que tipo de consciências têm delas próprias, quais são as metas ainda a alcançar, os desejos a realizar? Como vivem as suas relações afectivas, o amor, a maternidade? Foram utilizados: fotografias, fotonovelas, filmezinhos de família, inquéritos e debates televisivos, filmes independentes e experimentais, filmagens militantes e privadas, publicidades, músicas, animações da época e originais, além de três diários pessoais. Tudo isso representa uma estratificação de imagens e de som através da qual rescrever uma história do passado à luz de um futuro instável. A intenção é ir além da reconstrução histórica para poder colher toda a verdade emocional e existencial da história. Tudo partiu do slogan “Queremos o pão, mas também as rosas”, mas talvez o pão, o elemento necessário, hoje em dia já foi adquirido. As mulheres lutaram para que no mundo houvesse espaço também para a poesia das rosas. E é uma batalha mais do que actual.
Filmografia Essenziale
Un'ora sola ti vorrei (2002) / Per sempre (2005) / Vogliamo solo le rose (2007)