Gianni, um homem de meia-idade e filho único de uma viúva, vive com a sua mãe numa velha casa no centro de Roma. Tiranizado por ela, uma aristocrata em decadência, ocupa o seu dia a fazer-lhe as tarefas domésticas e as refeições. No primeiro dia de Ferragosto, o administrador do condomínio propõe-lhe que fique com a sua mãe em casa durante os dois dias de férias. Em troca promete-lhe o cancelamento das dívidas acumuladas ao longo dos anos, sobre as despesas do condomínio. Gianni vê-se forçado a aceitar.
Notas do realizador
Sendo um filho único de uma viúva, tive de viver muitos anos sozinho com a minha mãe, uma personagem com uma personalidade esmagadora, fechado no seu mundo. Por si testado, conheci e adorei a riqueza, a energia e o poder do universo dos idosos. Presenciei também a sua solidão e vulnerabilidade num mundo que caminha a grande velocidade, sem saber para onde vai, porque se esquece da sua história, perde a continuidade do tempo, teme a velhice a morte, ignorando que nada tem valor senão a qualidade dos sentimentos. No Verão de 2000, o administrador do meu condomínio, sabendo que eu tinha a renda atrasada, propôs-me ficar com a sua mãe durante as férias de Ferragosto. Num rompante de dignidade recusei, mas desde então que me tenho questionado sobre o que teria acontecido se tivesse aceitado. Este é o resultado.